Por Mara Montezuma Assaf
Roger Bastide, em seu livro "Brasil, terra de contrastes" deixava muito clara a idéia de que a miscigenação racial havia sido o fator fundamental para que preconceitos arraigados, extremados e cruéis não prosperassem aqui no Brasil como aconteceu , por exemplo, nos Estados Unidos e na África do Sul. No início de nossa colonização, a preocupação do diminuto Portugal era como povoar esta terra imensa para garantir sua posse, e assim, seguindo a orientação da Coroa, muito prazerosamente os colonos portugueses se entregaram às práticas sexuais e também ao casamento com as índias da Terra de Santa Cruz.
Uma multidão de mestiços formou os primeiros pilares na construção da população brasileira. E tão grande e importante foi sua contribuição que até o século XVIII, na cidade de São Paulo, falava-se como primeira língua o Tupi. A contribuição seguinte aconteceu em função da necessidade de mão de obra para a lavoura açucareira do Nordeste. Num mundo à época adepto e praticante do escravagismo, não causa espanto que os portugueses apelassem para os negros da África para resolver esta questão, já que desde a antiguidade era lá que a Europa se "abastecia" de escravos . Cruel costume, crudelíssimo, mas usual naqueles tempos. Não vale a pena fazer considerações sobre usos e costumes que só são compreensíveis se analisados dentro de um contexto de tempo e espaço. O que importa considerar é que hoje em dia, nos livros escolares da rede pública, capítulos inteiros são dedicados a desmerecer e aviltar a imagem de nossos colonizadores, como se fossem monstros, e não retratos fiéis de uma época. De novo a miscigenação se deu, agora entre brancos, negros e índios, enriquecendo a salada étnica de nossos primeiros povoadores. Novas cores, novos sons na língua, comidas e costumes novos, e claro, não necessariamente sempre fruto de idílicas relações. Mas tais mudanças foram se dando com o passar dos séculos e sedimentando o que resultou no povo brasileiro. Um povo mestiço em sua essência e na sua forma. Depois os imigrantes italianos, alemães, japoneses, árabes e tantos mais, deram um retoque final. Se disser que neste processo de formação da nacionalidade brasileira não houve conflitos e preconceitos é mentira. Mas dizer que este preconceito foi incentivado é mentira maior. No século passado já estava difundido o conceito de que ser preconceituoso era andar na contramão da ética, e leis já garantiam que fosse considerado criminoso quem praticasse um ato de preconceito contra alguém. De repente, uma guinada súbita nas relações entre grupos está a acontecer. Já não se trata mais de resolver pela lei e pela educação diferenças entre pessoas de cores diferentes, de nuances epidérmicas variadas. O universo do preconceito passou a ser muito mais amplo. Agora os petistas (e a esquerda em geral) incentivam a se contrapor norte e sul, pobres e ricos, excluídos e elites, negros e brancos, população e órgãos da imprensa, zumbis e bandeirantes, sem-terras e agricultores, sem-tetos e donos de imóveis, num processo de demonização crescente, jogando seus militantes e eleitores contra uma parcela importante da população brasileira. Insuflam-se preconceitos e rancores de todos os matizes. É só relembrar as recentes palavras de Lula nesta campanha, ao se referir a Alckmin pejorativamente como alguém saído da Av. Paulista, e que, por isso estava automaticamente desqualificado para governar o país. O que pretende Lula e os petistas com este discurso? O que pretende Lula ao chamar o povo de São Paulo de "elite indecente"? Não é novidade o regionalismo, este sempre existiu e entendo que é natural em qualquer nação do mundo. Também não é novidade que fora de São Paulo se escute dizer que paulista é estressado, é pouco sociável...mas basta viver nesta terra para saber que isto não é verdade. São Paulo é o Estado mais brasileiro deste país, aqui é o verdadeiro caldeirão onde se faz a sopa étnica e cultural mais rica. Sempre tivemos as portas abertas para receber aqueles que aqui nos procuraram para viver. Portanto, o que pretende o Presidente do País ao instigar parte da população contra outros segmentos? Uma guerra civil? Desordens, badernas, tumultos, levantes? Isto é Constitucional? É legal? É moral? É prudente, para se dizer o menos? Nenhum argumento que diga que o que se busca é a justiça social justifica tal metodologia. Justiça social se faz, por exemplo, fundando os alicerces de uma politica de educação de base que, a médio e longo prazo, possibilite aparecer toda uma nova geração de brasileiros capacitados a cursar uma faculdade por competência própria. Não é, de repente, estabelecendo cotas para negros em universidades, até porque de onde eles tiraram a idéia de que só negros são pobres , desassistidos e injustiçados? Só o que estão a fazer, de afogadilho e com medidas populistas, é a construção de um edifício a começar pelo telhado, sem nenhum alicerce. Alguém de coragem deveria interditar esta obra! Ao invés de uma política séria de educação que incutisse nas pessoas a tolerância, o respeito, a responsabilidade social, a solidariedade, o gosto e o prazer da convivência entre os diferentes, está este governo a abanar a brasa do preconceito com suas atitudes irresponsáveis e maldosas. E se a brasa resultar em fogueira ? Como apagar este incêndio? Que desde já fique claro que quem está a escrever este triste capítulo da História Brasileira é o PT. Quem duvidar que visite uma escola dentro de qualquer acampamento do MST, assista uma aula, leia os livros "didáticos" que são oferecidos às crianças. Escute qual é o "hino nacional" que lhes foi ensinado. Estão formando toda uma geração rancorosa para fazer parte dos "exércitos" de militantes de bandeira petista, não brasileira. Estão plantando o ódio num país que sempre foi reconhecido como amante da paz e habitado por um povo cordial. Estão mudando, para pior, o perfil de nosso povo. Só não esqueçam eles que, aquilo que se planta é sempre o que se vai colher.
Editado por Adriana às 11/01/2006 09:32:00 PM |
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